
ESCOLA. EDUCAÇÃO. Qual escola? Qual educação?
Será que o ensino actual, imaginado, pensado e estruturado para a defunta sociedade fabril ainda serve para a sociedade do Conhecimento? Os estudiosos do assunto dizem que não.As exigências intelectuais do século XXI são diferentes daquelas que serviram (em parte) para nós, pais. Mas o pior está para vir. Dentro de 5 ou 10 anos a sociedade humana estará ainda mais mudada do que hoje. A nivel do mercado do trabalho as alterações vão continuar de forma imparável. As novas tecnologias, que terão repercussão em todos os sectores da nossa vida, vão continuar a surpreender-nos com desenvolvimentos inesperados. A ciência aprofundará, cada vez mais, domínios que hoje estão ainda numa fase de descoberta.
A velocidade vertiginosa de transformações que estão a ocorrer nos países ocidentais, muito marcadas pela globalização e o desenvolvimento tecnológico, fizeram disparar os estudos sobre o futuro a médio prazo (5 a 15 anos) por parte de muitos governos e grandes empresas que pretendem colher o máximo de informações que lhes permitam estar preparados, com a maior antecipação possível, para os novos desafios ditados pela sociedade da Informação.
O tempo em que as mudanças sociais, económicas e tecnológicas ocorriam a um ritmo que permitia fazer previsões com algum nível de certeza quanto aos cenários futuros terminou. A velocidade tenderá a aumentar mais ainda e algumas coisas se sabem já. Uma delas prende-se com o trabalho. Neste sector nada será como dantes.
Os diversos estudos conhecidos alertam para o facto do ensino não estar a preparar devidamente as crianças e os jovens para o futuro daqui a 10 ou 15 anos. Há novas exigências de competitividade, talento e inteligência que não estão a ser levadas em conta. A escola actual não é compatível com a sociedade para onde está a lançar os alunos.
Nelson S Lima (Inglaterra)
Prof. de Neurociências e Inteligência Multifocal na Universidade do Futuro
Grupo Bright Minds Global Education Network BRASIL
A FELICIDADE
Os mais recentes e interessantes livros sobre a matéria provêm de investigadores universitários. Este interesse crescente pelo tema resulta do facto de ser cada vez mais perceptível que vivemos numa sociedade onde o stresse, o medo, a depressão e a angústia existencial estão a provocar inúmeros ataques à qualidade de vida, à saúde e ao bem-estar das pessoas.
A definição de Felicidade varia de pessoa para pessoa e de autor para autor. Para uns é um sentimento de realização, harmonia e integração. Para outros o resultado de conquistas e ambições. Os cientistas, como o biofísico Stefan Klein, defendem que se trata de um sentimento que abrange o bem-estar corporal, psíquico, social e espiritual.
Por força de inúmeros factores, onde o estilo de vida desempenha um papel decisivo, vivemos numa angústica existencial quase permanente. O que levou a psicóloga transpessoal Laura Gilot a declarar que temos sido exímios a construir uma sociedade neurótica, insegura, assustada e confusa. Desta neurose que acomete um número crescente des seres humanos resulta que o nosso Eu, em vez de se expandir, fica restringido a um punhado de algumas ideias, por vezes vagas, de quem somos.
Por muito que aprendamos nos livros não a descobrimos ali. E, assim, distraídos numa sociedade que é cada vez mais cheia de imagem e cor, não nos ocorre que as primeiras e mais importantes aprendizagens devem ser acerca de nós próprios.
Então, o auto-conhecimento seria pois o primeiro passo para a conquista da Felicidade. De outra forma, acontecerá o que o filósofo Voltaire vaticinava: "sabemos que a felicidade existe mas não conseguimos dar com ela".
Algumas pessoas agarram-se à esperança de que a inteligência será a nossa derradeira tábua de salvação porque, com ela, saberemos fazer melhores escolhas. Mas será assim? A verdade é que a inteligência não é garantia de Felicidade como não o é de Sabedoria, Talento e Sucesso. A inteligência é apenas uma possibilidade em aberto, um recurso pessoal, uma potencialidade feita de emoções, sentimentos, pensamentos, memórias, sonhos, desejos, ambições.
Num mundo caótico e complicado demais para encontrarmos estratégias de sobrevivência eficazes, a espiritualidade pode ser aquela dimensão que marca a diferença entre a Felicidade e a falta dela. Fruto do desenvolvimento da auto-consciência, a espiritualidade é, para muitos autores, o caminho definitivo para um mundo melhor que beneficiará cada pessoa. Temos de reflectir sobre isto.
Finalmente, qual é a importância da Educação neste processo? A Felicidade pode ser aprendida? Podemos ensinar às pessoas a Fórmula da Felicidade? Se essa fórmula existe porque não a ensinamos às crianças? Onde estamos a falhar? De que estamos à espera?
Conheça...
Entrevista com Augusto Cury
Augusto Cury prepara um novo livro. Desta vez, ele envereda pelo caminho do romance histórico. “Hitler e o Colecionador de Lágrimas”, segundo o autor, fala sobre um professor de História de origem judaica que é convidado pelas forças armadas da Alemanha a entrar em uma máquina do tempo para eliminar Hitler.Cury aborda temas sobre o que aconteceria se Hitler fosse eliminado. “Essas teses são colocadas para estimular os leitores a entender que outros Hitlers surgirão e há grandes riscos de, ao invés de eliminá-los, milhões de pessoas possam saudá-los por não ter consciência crítica”, afirma.
Além de escritor, Cury é professor de pós-graduação, conferencista, psiquiatra e psicoterapeuta. A propósito de uma palestra em Rio Preto, em Março de 2011, integrada no curso de Atualização e Especialização em Cirurgia Dermatológica, o escritor deu uma entrevista.
- Do que trata sua palestra “Mentes brilhantes, mentes treinadas”?
- Minha palestra tem com base na reflexão de que somos a única espécie, em meio a milhões na natureza, que pensa, tem consciência de si mesma e escreve sua história. Um privilégio indescritível, é verdade. Mas temos escrito uma história que nos liberta ou nos aprisiona? Que expande nossa autoimagem ou sufoca nossa autoestima? Que liberta nosso imaginário ou deprime nossa inventividade? Que expande nossa inteligência ou bloqueia nossas habilidades? Muitos vivem em sociedades livres, porém são escravos de suas emoções. O desafio das sociedades modernas não é ter espaço para protestar, ambiente para expressar ideias e condições para consumir produtos e serviços. Não, é treinar nossa mente para ser livre e tranquila num dos territórios mais difíceis de se explorar do universo, o planeta psíquico.
- Como o senhor define mentes brilhantes e mentes treinadas?
- A mente humana é tão complexa que, diferentemente do universo físico, desobedece às leis da física e da matemática. Todos nós queremos uma mente saudável, regada ao prazer, livre, segura, resiliente, criativa, mas frequentemente a deixamos inadequadamente solta. Mentes tímidas, agitadas, ansiosas, imaturas, pessimistas, amedrontadas, flutuantes, depressivas são consequências dessa falta de treinamento, gestão e proteção. Para ter uma mente brilhante e treinada, é fundamental equipar o “eu” para exercer seus papéis fundamentais como gestor da psique, como protetor da emoção, como libertador da criatividade, como promotor das habilidades da inteligência.
- O que pode falar sobre o seu livro mais recente, “O Semeador de Ideias”?
- No livro falo sobre um poderoso homem que sofre perdas irreparáveis e torna-se colecionador de lágrimas. Despedaçado, sai em busca dos porões da sua mente e da sociedade de seus sonhos.
- Como foi escrever “O Semeador de Ideias” considerando que esse foi o terceiro e último livro da série “O Vendedor de Sonhos”?
- Senti que estava plantando sementes nos solos da mente de pessoas de todos os povos, China, Rússia, países europeus, americanos. Meu objetivo neste romance foi estimular a arte de pensar e levar os leitores a viajarem para dentro de si mesmos e deixarem de ser vítimas das suas mazelas e misérias para se tornarem autores da sua própria história. Com o drama e a comédia, que foram as ferramentas que utilizei nesta obra, espero ter tido êxito nesta empreitada e fico feliz que na China o livro ganhou o prêmio de melhor livro de ficção do ano e, na Rússia, dezenas de milhares de leitores estão lendo, bem como em diversas outras nações.
- Está trabalhando em algum novo livro?
- Estou lançando o livro “Mulheres Inteligentes e Relações Saudáveis”, onde abordo os erros capitais das relações doentes e as leis fundamentais das relações saudáveis. No final do ano, lançarei o livro que há anos tenho pensado e escrito, cujo nome será “Hitler e o Colecionador de Lágrimas”, um romance histórico. Neste livro, um notável professor de História, de origem judaica, é convidado por um grupo de cientistas e pelos membros de alta patente das forças armadas da Alemanha a entrar em uma máquina do tempo e eliminar Hitler e, consequentemente, mudar a história. Se você tivesse essa oportunidade, teria coragem de eliminar esse carrasco e mudar a história? Se tivesse tal oportunidade, eliminaria o Hitler criança ou o adulto, culpado por um dos maiores crimes contra a humanidade? Se eliminasse o Hiltler criança, não estaria usando as mesmas armas deste grande psicopata? Essas teses são colocadas para estimular os leitores a entender que outros Hitlers surgirão e há grandes riscos de ao invés de eliminá-los, milhões de pessoas possam saudá-los por não ter consciência crítica. Ambos os livros serão lançados pela Editora Planeta.
- O senhor tem tempo livre? O que faz com ele?
- Minha paixão é escrever e gosto muito também do contato direto com meus leitores, nas palestras. O tempo que tenho livre procuro aproveitá-lo com qualidade, estando junto da minha família e amigos e perto da natureza.
Fonte: Diário Web, 17/03/2011 (adaptado por Centro de Estudos Augusto Cury)
O que é a mente?
Para Augusto Cury a mente humana é um campo de energia, sofisticado e complexo, que coexiste e co-interfere com o campo de energia físico-química do cérebro. A energia psíquica transmuta-se ou transforma-se em energia física, e vice-versa.A mente envolve todos os acontecimentos comportamentais, desde os mais simples aos mais complexos sendo sustentada por um “programa”, facto que remete para a existência da percepção, da memória e da aprendizagem como funções determinantes para a função mental.
É um todo onde decorrem simultaneamente actividades conscientes e não conscientes. Na verdade, ela resulta de padrões no fluxo de energia e informações no interior do cérebro e entre cérebros, é criada no seio da interacção dos processos neurofisiológicos internos e das experiências interpessoais, a estrutura e o funcionamento do cérebro são determinadas pelo modo como as experiências (vivências e estímulos) moldam a maturação geneticamente programada do sistema nervoso (Sigel,1999).
A mente, que não pára de se desenvolver ao longo da vida, possui meios distintos de processar as informações e os estímulos oriundos do exterior e do seu relacionamento com outras mentes. Neste aspecto, é de destacar o papel das emoções que intervêm de forma activa na organização central do cérebro. Assim, a capacidade de um indivíduo organizar as suas emoções determina a capacidade da mente de integrar a experiência e de se adaptar a futuros focos de tensão (Sigel,1999).
A definição de “mente” varia muito não tanto de autor para autor mas conforme a perspectiva seja a investigação filosófica (Money-Kyrle,1956,1961, Meltzer, 1978), a neurofisiológica (Hebb,1946; Benedetti,1969; Eccles,1970; Lurija, 1970,1974,1975; Brown, 1977; Boddy, 1978; Mancia, 1980) ou a das ciências psicológicas.
Estas últimas usam, por vezes, dois termos distintos: mente e psique. A mente está geralmente associada às actividades intelectuais enquanto a psique está relacionado mais extensivamente com todos os processos de ordem psicológica ligados sobretudo às emoções e aos sentimentos.
A Teoria da Psicologia Multifocal de Augusto Cury aglutina-as. Mente e psique são palavras sinónimas e dizem respeito a todos os fenómenos e actividades mentais, sejam eles pensamentos, memórias, sensações ou emoções. Implica igualmente não só os processos que têm o carácter de consciência mas também toda a gama de fenómenos que não chegam à consciência (eles ocorrem em níveis inconscientes, também designados por Cury como “mente oculta”, “bastidores da mente” ou “inconsciente”).
Nelson S Lima
Qual é a melhor felicidade?
A felicidade é um sentimento que influencia o estado de humor, a sensação de bem-estar e está associada a emoções agradáveis. A boa felicidade é a moderada. A felicidade extrema (que todos parecem ambicionar) está associada a paixões e estados emocionais como o medo da perda (da felicidade), a ansiedade e o deslumbramento que nem sempre são boas companhias.
Ser feliz é estar bem. Consigo próprio e com os outros. Ter amores e ter amigos. E deliciar-se com as coisas simples deste mundo. Ser feliz é estar em paz. É ter a alma alegre mas ao mesmo tempo pacificada. Foi o que eu aprendi na minha vida.
Nelson S Lima
Podemos treinar as nossas emoções?
A fazer fé no título do livro de A. Cury Treinando a Emoção para Ser Feliz nós podemos accionar as nossas emoções para que elas nos ajudem a revigorar a auto-estima e a relacionarmo-nos melhor com o mundo.O autor nos esclarece que a emoção "é um campo de energia em contínuo estado de transformação". Quer isto dizer que as emoções são estados psíquicos "que se organizam, se desorganizam e se reorganizam num processo contínuo e inevitável". Tal como estamos sempre com algum tipo de pensamento em nossa mente, também vivenciamos estados emocionais de forma contínua.
Pensamentos e emoções estão sempre sendo produzidos por essa enorme energia que alimenta a nossa vida mental.
A nossa psique é um caleidoscópio virtual onde idéias, pensamentos, imagens, recordações, emoções e sentimentos estão em constante proliferação.
O nosso estado emocional é flutuante. Oscila com maior ou menor profundidade e intensidade em função de múltiplos factores. Misturam-se, por vezes, diferentes tipos de emoções, sobretudo em situações de tensão ou de crise. "Na realidade - escreve A. Cury - o que ocorre na vida de cada ser humano é que a alegria se converte em ansiedade, o prazer em irritabilidade, enfim, as emoções se alternam". E acrescenta: "A emoção passa por inevitáveis ciclos diários".
Os cientistas têm se esforçado, desde há muitos anos, em explicar o que são as emoções. Não tem sido fácil. Mas podemos conhecer algumas ideias:
- N.H.Frijda disse: "as emoções são mecanismos psicológicos destinados a gerar prazer e dor, transformando os estímulos em recompensas e castigos, para gerar expectativas de recompensa/castigo e para determinar e controlar acções".
- J.H.Havilland escreveu: "são experiências, situações e pensamentos que funcionam como elementos aglutinadores do sentimento do nosso Eu".
- Izard propôs: "são motivações que dão significado à nossa existência e que determinam os comportamentos".
As emoções mais antigas na história do Homem são chamadas de primitivas e incluem, por exemplo, o medo. Elas existem também em outros animais e o seu objectivo é claramente o de assegurarem a sobrevivência. No exemplo apresentado, o medo tem por finalidade proteger-nos dos perigos que nos ameaçam.
Percebemos, assim, que as emoções mobilizam as nossas energias. Quando estamos mergulhados numa experiência emocional intensa, o nosso corpo, através do cérebro, sofre várias alterações para que ele se adapte à situação.
É muito interessante verificarmos o seguinte: as emoções manifestam-se através de sensações (fuga, luta, ternura, agressividade, etc.), expressões corporais (rubor facial, lágrimas, músculos tensos, saltos, gritos, etc.) e pensamentos (raciocínios sobre o que estamos a sentir, avaliações cognitivas, etc.).
As emoções também provocam catatimia, isto é, infuenciam as outras actividades psíquicas como a atenção, a memória, etc. Já todos experimentámos situações emocionais intensas que nos deixaram, por momentos, "incapazes de pensar". A verdade é que primeiro sentimos as emoções e depois é que somos capazes de pensar. Elas como que bloqueiam a mente intelectual, sobretudo a partir de uma certa intensidade.
Sendo as emoções "geradas" em zonas antigas do cérebro elas são difíceis de "domar". O auto-controlo emocional é uma tarefa que deve ser objecto de aprendizagem desde os primeiros anos de vida para que nos libertemos da escravidão em que elas nos poderão colocar. É daí que nasceu a ideia de "treinarmos a emoção".
Augusto Cury, em seu jeito poético, dá-nos algumas pistas. Veja:
1º Olhar o mundo através dos olhos dos outros (isto exige que você seja tolerante, entenda o que pode estar por detrás de cada comportamento deles e perceba as diiculdades na perspectiva deles).
2º Aprender a compreender as nossas próprias limitações (precisamos de coragem para tal e sermos humildes o suficiente para vislumbrarmos e analisarmos as nossas deficiências);
3º Valorizar a vida (a sua e a dos outros).
4º Saber perdoar (a maior vingança contra um inimigo é perdoá-lo! Pois, assim, a nossa mente deixa de o ver como inimigo).
5º Falar a linguagem da emoção (abra o seu coração, aprenda a falar dos seus sentimentos, treine ser acessível aos outros).
6º Ter coragem para atravessar desertos existenciais (todos passamos por dificuldades e algumas são imprevisíveis e inevitáveis; temos de meter na cabeça que isso é humano e quem for capaz de atravessar essas etapas da vida com esperança e tolerância fica mais bonito interiormente!).
Termino recordando dois pensamentos de Cury:
"A vida é bela e inexplicável, mas vivê-la é uma arte. Ela nunca é uma reta, mas um caminho cheio de curvas e de obstáculos imprevisíveis". Finalmente: "Pare! Faça uma pausa na sua vida. Tenha a coragem de ser um pequeno aprendiz. Retome alguns caminhos, abra novos atalhos e aprenda a mais básica e legítima lição de treinamento da emoção: recomeçar tudo de novo tantas vezes quantas forem necessárias".
Nelson S Lima
Mente: o que é o "horizonte de tempo"?
A nossa educação - concebida à escala das nossa pequenez - sempre limitou a capacidade visionária da nossa mente. Estamos (e continuamos) bastante condicionados nesta matéria. Isso terá levado Einstein a desabafar algo como "se libertássemos a imaginação humana nós já estaríamos muito mais avançados no desenvolvimento".Pois bem, chama-se "horizonte de tempo" à capacidade de concebermos o tempo na nossa mente e de nos projectarmos no futuro. Mais precidamente, é o período cognitivo dentro do qual somos capazes de projectar, planear e executar acções no futuro.
Efectivamente, aumentam as provas (científicas) de que quanto mais longe o nosso cérebro for capaz de "trabalhar" no tempo mais inteligentes nos tornamos. Essa capacidade está localizada nos chamados "lobos frontais", as zonas mais modernas (em termos evolutivos) do cérebro humano.
Nas pessoas em que o "horizonte de tempo" é pequeno verifica-se alguma rigidez na elasticidade de resposta a desafios em que o factor tempo seja prioritário.
Em épocas como a nossa - em que temos de lidar com a complexidade, a ambiguidade, a rapidez dos acontecimentos e o paradoxo - as pessoas habilitadas a funcionar com amplos "horizontes de tempo" estão mais à-vontade para responderem criativamente aos desafios.
Robert Cooper, um prestigiado psicólogo organizacional, foi um extraordinário professor que me fez perceber a importância que cada um de nós deve dar ao factor "tempo" e à "percepção do futuro".Recordo alguns dos seus conselhos para agilizar a mente e desenvolver nela o "horizonte de tempo":
- procurar mais do que uma resposta para os problemas;
- usar conhecimentos ou dados contraditórios para gerar respostas alternativas;
- pensar fora das regras e normas habituais (ser criativo e inovador!!);
- dar atenção a tudo aquilo que, relativamente a um problema, fique por dizer;
- não ter receio de gerar "novas teorias" ou de "ver as coisas de forma diferente";
- encarar a incerteza como recurso!
Aliás, este é um exercício que costumo aconselhar frequentemente às pessoas com alguns problemas de adaptação: convido-as a imaginar onde gostariam de estar e de fazer a 5 ou 10 anos de distância!
Não é um trabalho de adivinhação mas de preparação mental e de expansão da consciência para o futuro. Os resultados são habitualmente muito animadores.Como se faz isso? Recordemos as palavras do professor: programar algum tempo semanal para, num lugar calmo, olhar para o futuro "vendo-nos" a actuar onde gostaríamos de estar. É um trabalho pró-activo é susceptível de alargar o nosso "horizonte de tempo".
A MENTE HUMANA na óptica da Psicologia Multifocal
O Autofluxo da Energia Psíquica
O discurso sobre o fenómeno do Autofluxo da Energia Psíquica indica que a nossa mente vive numa dinâmica constante e inevitável desde os primeiros pensamentos produzidos pelo feto até o fim da vida do ser humano. É impossível para nós interrompermos o fluxo de nossos pensamentos pois o Autofluxo da Energia Psíquica actua independente da nossa vontade consciente. Até mesmo a tentativa do vácuo de pensamento já é uma manifestação do pensamento.
A Autochecagem da Memória
A produção de conhecimento tem como base o fenómeno da Autochecagem da Memória. Muitos dos pensamentos e emoções gerados nos bastidores de nossa mente são produtos de um fenómeno que actua clandestinamente lendo determinadas áreas da memória, sintetizando pensamentos e modificando o conteúdo de nossa emoção "sem que tenhamos autorizado tal actividade".
A Âncora da Memória
Sobre o fenómeno da Âncora da Memória Cury procura abrir os nossos olhos para o facto de que nem todo conteúdo de nossa memória está disponível para ser lido num determinado momento existencial, mas sim algumas áreas determinadas por esse fenómeno. Segundo Cury, os deslocamentos da Âncora da Memória consistem na variável intrapsíquica de maior relevância em relação ao conteúdo de nossos pensamentos. Em momentos e fases de vida de forte turbulência emocional a Âncora da Memória pode "travar" restringindo o nosso acesso a “diversos arquivos existenciais”, tornando-nos rígidos, pobres e pouco qualitativos nos nossos pensamentos gerando não poucas vezes várias distorções na interpretação dos factos e situações psicossociais.
O EU
Finalmente, o fenómeno do Eu pode ser definido como a nossa consciência existencial do mundo que somos e em que estamos, em resumo, a nossa identidade existencial, a nossa consciência de nós mesmos. O Eu, através do processo de interiorização existencial pode exercer um domínio no redireccionamento dos outros 3 fenómenos; porém, jamais interromper ou eliminar essa actuação. O Eu é ao mesmo tempo servo e líder do Autofluxo, da Autochecagem e da Âncora da Memória. Sem uma postura firme, apaixonada e determinada do “Eu”, a nossa produção de pensamentos e emoções fica entregue aos outros 3 fenómenos intrapsíquicos os quais têm a função primordial de "financiar" gratuitamente o funcionamento da mente, porém o pensamento crítico, centrado em princípios humanísticos, é a responsabilidade principal do “Eu”.
Caso esse fenómeno não amadureça qualitativamente ao longo do processo existencial, a nossa produção de conhecimento pode ter muito pouca qualidade gerando todas as formas de violação dos direitos humanos.
A obra de Augusto Cury
Na generalidade, os livros de Augusto Cury são de fácil leitura. Como seria de esperar, a maioria deles obteve grande sucesso. Suscitam entusiasmo e criaram uma legião de seguidores de seus pensamentos. E também muitos detractores que o acusam de ser um escritor que se limita a dizer banalidades e a repetir ideias, verdades e crenças universais.Não vou perder tempo com esses indivíduos (alguns, por aquilo que escrevem, denunciam bem o quanto poderiam aprender com Augusto Cury curando suas fragilidades e perturbações) mas centrar-me no que a obra de Augusto Cury trouxe de realmente novo (e que explica todo o sucesso de vendas obtido pelo autor).
Augusto Cury com a sua formação em psiquiatria é um filósofo e humanista e a sua missão é o de esclarecer as pessoas sobre como podem superar problemas prementes e actuais como a angústia existencial, o síndrome do pensamento acelerado, os desequilíbrios emocionais e outras moléstias típicas de um mundo que parece estar à beira de um ataque de nervos (aliás, um mundo neurótico).
Pretendendo escrever para um maior número possível de leitores, Cury aborda questões complexas de forma acessível, sem se aprofundar em explicações científicas escusadas e apresenta sempre uma mão cheia de sugestões e propostas para as ultrapassar. É, na verdade, um autor pujante e criativo e ninguém se pode queixar que os seus livros sejam vazios de ideias. São magnificamente bem escritos e contêm uma característica central que explicam o seu sucesso: são livros inspiradores.
Nelson S Lima
O Futuro do Homem: o nosso destino é o Universo!
Esse estudo - em que participou uma equipa pluridisciplinar de cientistas - concluía que a vida no nosso planeta dentro de milhões de anos, mas mais seguramente dentro de 10 milhões de anos e mais, será completamente diferente daquela que hoje conhecemos (o que não é surpresa). A evolução da vida, quer do planeta quer dos seres vivos, segundo esse inovador estudo, atingirá tal magnitude que é difícil reconhecermos o que quer que seja. Muitos seres vivos actuais, incluindo o Homem, não existirão mais. Muitos outros evoluirão para seres de anatomia e comportamento completamente diversos daqueles que hoje exibem. Recordo-me de ver lido que lulas gigantes anfíbias poderiam ocupar um lugar cimeiro na escala dos animais mais inteligentes à face do planeta.É pacífico aceitar que, dentro de 1 a 10 milhões de anos, a Terra terá um aspecto completamente diferente e os seres vivos que por aqui se movimentarão apresentarão organismos e formas completamente distintas dos animais que conhecemos actualmente (ilustração acima). O mesmo se passará com a flora. Voltarão os tempos em que os animais e as plantas atingirão proporções inimagináveis fazendo recordar épocas passadas em que a Terra era povoada por répteis de tamanho gigantesto e grande dinossaurios (eles povoaram a Terra durante mais de 180 milhões de anos e desapareceram há cerca de 65 milhões de anos, muitos milhões de anos antes dos primeiros seres aparentados com os futuros humanos terem surgido).
Mas, para além desta hipotética versão do futuro - que, no mínimo, dá para pensar - uma pergunta se coloca: e o ser humano? Por onde andará dentro de 100 mil anos ou 1 milhão de anos? Existirá ainda? Na Terra? O estudo sugere que não. Não estaremos aqui. A Terra estará dominada por grandes e inesperados animais. Será de novo um território pouco amistoso para o ser humano. Vai a nossa espécie extinguir-se como muitas outras que já aqui viveram?(Não nos esqueçamos que de todas as espécies de animais que viveram no nosso planeta em toda a sua história de mais de 4 mil milhões de anos, 90% já não existem - o caso dos dinossáurios é o mais conhecido).
O argumento de que a actual espécie humana não se extinguirá mas será objecto de uma mais ou menos lenta evolução - tal como aconteceu no passado - é aceite por um número crescente de cientistas. Se antes de nós existiram outras espécies das quais somos descendentes porque não aceitar que a Natureza continuará a obedecer às mesmas leis da evolução? Embora, actualmente, o ser humano, por força da tecnologia médica, consiga contrariar a lei dos mais fortes (aquela que impede que os indivíduos menos aptos física e mentalmente sobrevivam e deixem descendentes) a evolução da espécie é ponto assente. A crescente sofisticação da sociedade exigirá dos mais aptos novas necessidades de adaptação (sobretudo cerebrais e cognitivas) para sobreviver. E, assim, é de crer que a actual espécie humana continuará o seu caminho. Rumo a novos patamares evolutivos. Tal como aconteceu antes.
As espécies anteriores viveram na Terra durantes milhões de anos. Extinguiram-se por diferentes motivos, muitos deles relacionados com a incapacidade de resistirem a alterações climáticas, a doenças, aos animais predadores e a chacinas de grupos humanóides mais poderosos (houve uma época - longa - em que na Terra "conviveram" 5 diferentes espécies de seres hominídeos). A nossa espécie é a única que resta e está ainda no início da sua história. Tem apenas entre 150 mil e 200 mil anos. Nada de especial pois a espécie Homos Erectus sobreviveu mais de um milhão de anos tendo convivido com outra espécie, o Homo Habilis, considerada mais desenvolvida e mais moderna. Assim sendo, temos ainda muito futuro pela frente.
Uma tese - que aqui proponho - é mais radical: os seres humanos - cuja história começou há muitos milhões de anos, muito antes dos proto-humanos, têm um conjunto de características que são determinadas biologicamente e que os tornam diferentes dos restantes seres vivos conhecidos: são seres pró-activos, criativos, muito inteligentes, muito hábeis, em movimentação constante pelo mundo, construtores frenéticos, curiosos compulsivos e ambiciosos em extremo. Sempre o foram ao longo da história. Deram os primeiros sinais dessa sua natureza quando começaram a percorrer a Terra em busca de novos espaços para viver, quando começaram a construir artefactos e a criar comunidades sedentárias (aldeias, depois cidades e nações) e quando inventaram os primeiros meios de transporte (estabelecendo uma cada vez mais complexa rede de ligações terrestres e aquáticas com diferentes destinos).
Entre as primeiras jangadas e as naves espaciais tripuladas passaram apenas algumas dezenas de milhares de anos. Se, como espécie, ainda temos 150 mil a 200 anos de vida e se, na pior das hipóteses, ela nunca se extinguirá antes de um ou dois milhões de anos (podendo também dar origem a uma ou mais novas espécies, mais poderosas e hábeis tal como aconteceu no passado com as antigas espécies hominídeas) o que podemos esperar?
Olhando para o passado da evolução nos últimos 15 a 20 milhões de anos tudo parece indicar que viemos para ficar. Daqui decorre a teoria do Universo Humano. Esta teoria - que me atrai bastante - vê o universo como um espaço imenso que será um dia povoado pelos seres humanos.
Se hoje nos parece altamente improvável viajar a velocidades que nos permitam chegar a outros planetas habitáveis para neles darmos continuidade à nossa saga isso não constituirá obstáculo dentro de um número razoável de anos quando a tecnologia atingir um ponto de não retorno. O regresso à Idade da Pedra jamais acontecerá.
Definitivamente libertos da Terra seremos (os novos?) senhores do Universo, da mesma forma que um dia, muito depois de descermos das árvores, povoámos o planeta e nos assenhoreámos dele. O Universo é, mais do que a Terra, a nossa casa. A Terra é apenas o ponto de partida - ou de passagem - para outros mundos ainda que isso nos venha a obrigar a adaptações e transformações biológicas que só os homens do futuro conhecerão. Conheceremos outros seres inteligentes algures estabelecidos noutras galáxias? Talvez. Também os navegadores do século XVI descobriram uma América povoada de outros seres humanos e com civilizações e culturas diferentes.
Só assim posso compreender porque, desde sempre, o ser humano e as anteriores espécies caminharam de forma aparentemente irresistível no sentido da expansão, o que favoreceu o progresso tecnológico (veja-se a históra da aviação). Por isso costumo dizer que quando o homem do Neolítico inventou a roda iniciou, nesse preciso momento, a história das viagens espaciais. Viagens que, actualmente, mais não são do que as primeiras tentativas para sairmos do Sistema Solar e irmos em busca de novos lares algures do outro lado do Mundo (*).
Sobre este trabalho: trata-se de uma investigação centrada no estudo de determinadas características biológicas, neurobiológicas e comportamentais que, desde há pelo menos 4 milhões de anos, conduzem instintivamente o ser humano para uma conquista gradual da Terra e posteriormente de outras áreas do Cosmos.
A análise histórica do percurso da humanidade (e dos proto-humanos anteriores a nós) evidencia essa procura incessante pela conquista de novos territórios. Conquistada a Terra resta-nos o Universo imenso. É algo inerente ao ser humano e que não se verifica em mais nenhuma espécie animal terrestre.
É um propósito geneticamente programado que torna o ser humano inventivo e tecnologicamente hábil (tal como o instinto sexual - determinado geneticamente- que visa garantir a continuação da espécie) . E tudo isso apenas pode ter uma finalidade: garantir a perpetuação dos genes humanos não apenas no tempo como no espaço (dando seguimento, na verdade, ao que acontece desde há milhões de anos de uma forma imparável).
Assim, é razoável aceitar que, em menos de 1000 anos, teremos terminada a colonização dos primeiros planetas fora do sistema solar e num período de 1 a 10 milhões de anos seremos uma espécie extraterrestre. É também admissível que nos próximos 20 mil anos alterações genéticas graduais venham a provocar uma evolução nas capacidades cognitivas humanas dando origem a uma nova espécie "homo" ou a um novo ramo. O contributo de robots e de andróides terá também um papel decisivo.
As questões que aqui se levantam são não apenas científicas mas também filosóficas e metafísicas (quem somos, afinal? que estamos a fazer na Terra? por que é que a nossa espécie é, por agora, o resultado de uma gradual escalada de desenvolvimentos biológicos, cognitivos e culturais? estamos na Terra apenas de passagem ou a Terra é o ponto de partida? estamos então sozinhos no Cosmos e a nós competirá a sua colonização? por que somos atraídos pela tecnologia e pelo Espaço? por mera curiosidade ou porque há um desígnio por trás da nossa história? seremos nós os extraterrestres de amanhã? qual a finalidade da aceleração tecnológica?)
(*) Já existem centros de investigação estatais que estudam formas de evacuação da espécie humana para outros pontos do Universo dentro de 200 a 300 anos (informação de Fernando Nobre, presidente da Asssistência Médica Internacional).
O amor, um sentimento em transformação
A forma como uma pessoa ama o seu parceiro depende de muitos factores: personalidade, auto-conceito, cultura, educação, etc. Dessa confluência de factores resulta que cada pessoa tem um estilo preferencial de amar. Alguns são compatíveis com o estilo do parceiro. Outros não. O sucesso da relação vai depender de como os dois amantes forem capazes de superar as lacunas e as diferenças. O egoismo pode ser, porém, um factor impeditivo de uma relação bem sucedida se ambos não abdicarem das suas exigências e posturas. O amor bem sucedido depende também da humildade e da franqueza. Conversar sobre as diferenças e as expectativas de cada um em relação ao outro pode facilitar o sentimento.
ENTREVISTA COM AUGUSTO CURY
A PROPÓSITO DESTE SEU NOVO LIVROpor Nelson Albuquerque
Diário do Grande ABC
O novo livro de Cury é De Gênio e Louco Todo Mundo Tem um Pouco (Editora Planeta, 208 págs.). Pode-se dizer que seja uma autoajuda romanceada. Nessa história, o autor puxa dois personagens de outro romance seu, O Vendedor de Sonhos. É uma dupla pseudo-divertida, especialista em arrumar confusões e salvar vidas.
São dois ''loucos e gênios'' que, em comum, sofreram na infância com a perda dos pais e de todas as oportunidades na sociedade. Passaram a viver nas ruas. Têm tantas coisas em comum que, muitas vezes no enredo, podem deixar o leitor sem saber quem é quem.
É um livro que trata de problemas sociais, psicológicos sobretudo. Talvez seja essa a isca com a qual Cury fisga tantos leitores - uma gente real que sofre com o actual mundo de concorrências e diferenças, frustrações e desilusões, tudo no plural.
O texto não é nada elaborado; ao contrário, é simplório. Segundo o autor, foi escrito para crianças de 9 a 90 anos.
DIÁRIO - Seus livros de autoajuda foram bem-sucedidos e, então, o sr. rumou para o romance. Por quê?
AUGUSTO CURY- Escrevi mais de 20 livros sobre psicologia aplicada. Procurei democratizar o conhecimento científico para que leitores aprendessem a proteger sua emoção, a gerenciar seus pensamentos, a trabalhar perdas e frustrações, a desenvolver capacidade de empreender, pensar antes de reagir e correr riscos para materializar seus sonhos. Entretanto, senti a necessidade de escrever romances para que os leitores pudessem aprender de forma agradável e assimilar esses processos.
DIÁRIO - Acha que conseguiu?
CURY - Meu primeiro romance, O Futuro da Humanidade, causou grande impacto. Mais de um milhão de pessoas o leram e foram às lágrimas, porque entenderam que nas sociedades modernas estamos cada vez mais nos tornando números de identidade e de cartão de crédito em vez de seres humanos complexos e únicos. Desta forma, minha intenção ao escrever é levar as pessoas a navegar nas águas da emoção e principalmente auxiliá-las a encontrar ferramentas que as tornem autoras de sua própria história.
DIÁRIO - O sr. já tentou entender o segredo do êxito de seus livros no mercado? São as histórias, o texto fácil...?
CURY - Durante mais de 20 anos, tive o privilégio de desenvolver uma das poucas teorias mundiais que estuda o processo de formação de pensamentos. Meus livros divulgam essa teoria. Preferi usar uma linguagem acessível para que o maior número de pessoas tenha condição de entender o teatro da mente humana e de usar as ferramentas para expandir o pensamento crítico e desenvolver a arte da observação, da dedução e da interiorização.
DIÁRIO - Foi assim desde o começo?
CURY - Isso aconteceu depois que escrevi o livro Inteligência Multifocal, de linguagem fechada. Muitas pessoas têm dificuldade de lê-lo, então após ver que poucas pessoas estavam usando minha teoria em trabalhos de mestrado e doutorado, percebi que estava distante da sociedade em geral. Então, procurei democratizar o conhecimento. Muitas pessoas ainda usam os livros em pós-graduações, em especial em educação multifocal. Milhões de outras pessoas, de 50 países, estão lendo os livros e aplicando a teoria em suas vidas. Acredito que essas pessoas estão conseguindo de uma maneira prática mudar sua trajetória de vida e reescrever os capítulos mais importantes de suas histórias.
DIÁRIO - Por conta das grandes vendagens, o sr. já ouviu comparações com Paulo Coelho?
CURY - Já aconteceram, sim, algumas comparações. Conheço pouco o trabalho de Paulo Coelho, mas o respeito como um autor extremamente lido. Mas nossos trabalhos são muito diferentes. Meus livros falam sobre psicologia e outras ciências humanas, não entro na esfera do misticismo, do sobrenatural.
DIÁRIO - Quais são seus autores preferidos na literatura? E os livros mais significativos na sua opinião?
CURY - Gosto muito de Machado de Assis, da forma como ele escreve e se expressa, além de gostar muito de ler e estudar os filósofos gregos. Desta forma, não posso definir quais os livros mais significativos porque, para mim, são muitos.
DIÁRIO - As personagens de suas histórias são baseadas em pessoas reais ou são tipos definidos pela psiquiatria?
CURY - Minhas personagens são fruto de muitos anos tendo experiências em consultório com meus pacientes. Também expressam muito do que sou, mas principalmente muito do que eu gostaria de ser.
DIÁRIO - Vivemos hoje em uma sociedade louca?
CURY - No livro O Vendedor de Sonhos, descrevo que as sociedades modernas se converteram em um manicômio global, um grande hospital psiquiátrico, onde o normal é ser irritadiço, sofrer por antecipação, ter emoção flutuante e reações explosivas diante de pequenas contrariedades. Ser normal é necessitar de grandes estímulos, como roupas de grife, festas e aplausos sociais, para ter migalhas de prazer. Essa é a situação normal do homo sapiens moderno, portanto doentia. O homem anormal abraça as árvores, conversa com as flores, faz das pequenas coisas um espetáculo aos olhos. Ele fala dos fracassos aos filhos e amigos para que eles aprendam a entender que ninguém é digno do pódio sem usar-se do fracasso para alcançá-lo. Nesse sentido, os anormais são minoria e são privilegiados, pois fazem da sua história um espetáculo único e imperdível, valorizam aquilo que o dinheiro não compra e somente desta forma é que poderemos encontrar maneiras de ser genuinamente felizes e realizados.
DIÁRIO - Por que hoje em dia crescem os casos de depressão?
CURY - Bom, os sintomas da depressão hoje são muitos e em alguns casos bem diferentes. Em De Gênio e Louco..., falo bastante de alguns sintomas de depressão, estresse, ansiedade. Um deles é o fato de que as pessoas estão deprimidas igualmente pelo ambiente tenso e ansioso em que vivem, trabalham e convivem, onde não se sentem produtivos, construtivos, criativos e contemplativos. Entretanto este é apenas um exemplo, existem muitos outros fatores que fazem aumentar os casos de depressão.
DIÁRIO - Hoje, o sr. se dedica apenas aos livros?
CURY - O que me fez decidir ser um escritor foi em primeiro lugar a paixão que tenho pela vida e pelo mundo das ideias. Em segundo lugar, foi uma crise depressiva que tive quando estudava na faculdade de Medicina, daí comecei a escrever. Para muitos, a dor emocional os destrói; para outros, ela os constrói. Usei minha dor para me construir. Minha crise se tornou um excelente passaporte para que viajasse para dentro de mim e começasse a estudar o funcionamento da mente. Fiquei fascinado em penetrar em meu psiquismo e estudar as causas que financiavam minha angústia. Desta forma, escrever para mim é hoje essencial para que eu possa exteriorizar meus sentimentos. Entretanto, no tempo vago amo ficar com minha esposa e filhas e apreciar junto com elas a natureza. Gosto muito da vida no campo e de cuidar também dos animais e plantas.
AUGUSTO CURY E O FUTURO

10º Procurarmos ser engenheiros de ideias actuando com consciência crítica.Muito do nosso futuro é previsível, mas pode surpreender-nos!
O Poder Oculto do Inconsciente

O Futuro da Humanidade

Entrevista com Augusto Cury
O destino não é inevitável. É uma questão de escolha!Entrevista ao diário DESTAK (31 de Março de 2009)
Trabalho da jornalista Filipa Estrela
Como surgiu a ideia de O Vendedor de Sonhos?
Como todos os meus romances, não conseguiria escrevê-lo apenas para entreter. O meu objectivo é sempre defender teses psicológicas, sociológicas, filosóficas e trazer assuntos polémicos para o debate das ideias. O Vendedor de Sonhos está carregado de fenómenos sociológicos, tem muitos transtornos psiquiátricos e também traz uma série de teses filosóficas. Este livro já está a levar as pessoas a fazerem uma viagem interior. No Brasil já são 400 mil exemplares em poucos meses. Os leitores estão a perceber que vivemos numa sociedade que deixou de sonhar. Precisamos de ser vendedores de sonhos, em casa, nas aulas, nas relações afectivas.
É um vendedor de sonhos?
Sou um pesquisador da psicologia, pensador da filosofia e autor de uma nova teoria, que estuda a construção do pensamento humano.
Esta obra enquadra-se nos livros de auto-ajuda, na medida em que faz as pessoas repensarem a sua existência para serem felizes?
Este livro desenvolve o pensamento crítico, não dá soluções mágicas. É um livro que leva as pessoas a sair da zona do conformismo, do medo neurótico de não entrar em contacto com as suas mazelas, para serem seres humanos que assumem quem são e reconheçam os seus limites e fragilidades.
É isso que é preciso para ser feliz?
A felicidade não é linear, não é fruto de uma casta, não é um dom genético. A felicidade é um processo de conquista. Uma pessoa para desenvolver uma emoção com o máximo de prazer tem de aprender a fazer muito do pouco. Quem precisa de grandes eventos e sucessos para expandir o prazer de viver asfixia a sua emoção. É necessário fazer das pequenas coisas um espectáculo para os olhos, para ser feliz.
A sociedade está doente?
Vivemos numa sociedade doente. O normal é ser doente e stressado. A sociedade se converteu num manicómio global. Por isso é que eu grito nos meus livros que esta sociedade é um manicómio global, e toda a gente está a concordar. Onde estão as pessoas tranquilas? Onde estão as pessoas que param os carros para contemplar uma praça com flores? Onde estão as pessoas que param para escutar este pássaro? Os romanos viviam 40 anos em média e nós vivemos 70/80 anos, mas a vida média biológica aumentou e a vida média emocional diminuiu. Já notou que a vida passa rápido? Não percebe que daqui a uns anos vamos estar na solidão de um túmulo? O que precisamos de fazer para viver o máximo dentro do mínimo? Temos de ser gestores do nosso tempo, caso contrário somos vítimas do nosso próprio sucesso.
É feliz?
Sou muito feliz. Sou apaixonado pela vida, pelas minhas filhas. Tento fazer o máximo dentro do mínimo.
Como se distingue uma pessoa feliz de uma pessoa conformada com a vida?
Uma pessoa conformista é escrava das ideias tirânicas, tais como «não tenho capacidade», «não consigo conquistar», «não faço a diferença na relação com as pessoas» ou «não consigo libertar o meu imaginário para criar soluções para os problemas». Uma pessoa que acha que está destinada a ser uma fracassada tem um pensamento mórbido. Quem crê em destino também é uma pessoa que vive uma vida pessimista, angustiada, contraída. O destino não é inevitável frequentemente. O destino é uma questão de escolha. Alguém que não consegue filtrar estímulos stressantes tem hipersensibilidade. Uma pessoa sensível preocupa-se com o amanhã, uma pessoa hipersensível vive o amanhã como se fosse real. Uma pessoa sensível preocupa-se com a dor do outro, uma pessoa hipersensível vive a dor do outro. Pessoas hipersensíveis desenvolvem transtornos emocionais como depressão, sensação de vazio existencial, mente agitada, irritabilidade, flutuação emocional.
Quais as soluções para essas pessoas serem felizes?
Primeiro deve-se parar para pensar e criticar cada ideia perturbadora e cada pensamento negativo, reciclando as imagens que angustiam. Segundo, deve-se proteger a emoção. É fundamental doar sem esperar de mais o retorno. Quem espera de mais vive uma vida miserável, porque os íntimos são quem mais nos decepciona. É fundamental entender que por detrás de uma pessoa que fere, há uma pessoa ferida e não se pode exigir o que uma pessoa não pode dar.
Centro de Estudos Augusto Cury no Brasil
Afinal, o que é o Inconsciente?
Na verdade, este nível mental, de difícil acesso mesmo através de métodos como a hipnose, a sofrologia ou a ADI (Abordagem Directa do Insconsciente), não só revela conteúdos psicológicos como também físicos e noológicos (a sede da inteligência e da personalidade, por exemplo).
O inconsciente é um potencial de energia, uma instância ao mesmo tempo física, psicológica, de capacidade paranormal, transcendental, que nos conduz à compreensão da natureza ontológica do ser humano. É no reino do inconsciente - no espaço indefinido entre o corpo e a psique - que encontramos o EU NUCLEAR que o famoso neurologista e investigador António Damásio difundiu na sua famosa obra "O Sentimento de Si". O EU NUCLEAR é o ponto de partida para a pessoalidade, a raíz da individualidade e da personalidade de cada um.
Compreender a Psicologia Multifocal

O doutor Augusto Cury tem vindo a divulgar a sua teoria em diversos países, nomeadamente em Portugal, Espanha, Estados Unidos e outros tendo sido já introduzida em diversas universidades e cursos superiores de psicologia no estrangeiro. Sugere-se uma visita a www.centroaugustocury.com/.
Nas perturbações como os "ataques de pânico" e as "reacções fóbicas" existe, porém, algo diferente. Existe uma exacerbação do caos que conduz ao descontrolo. É que o estado de caos natural da mente é controlado por fenómenos intrapsíquicos que o reorganizam e o mantém dentro de certos parâmetros. É algo semelhante ao clima. A atmosfera está em constante modificação: a temperatura oscila, as pressões atmosféricas alteram-se, os ventos estão em permanente agitação (mais branda ou mais violenta). É esse tipo de caos que ocorre na psique normal e saudável. Se a atmosfera estabilizasse totalmente a Vida na Terra morreria. Assim seria connosco.
Novos conceitos em psicologia
O livro Inteligência Multifocal (1998), de Augusto Cury, primeira obra de grande fôlego sobre Psicologia Multifocal, é um dos mais brilhantes trabalhos teóricos sobre o funcionamento da mente humana. O autor faz uma abordagem inovadora e por vezes complexa ao ponto de alguns cientistas cognitivos e outros terem revelado algum cepticismo quanto à sua credibilidade. De facto, Cury desenvolve conceitos novos tais como o complexo do autofluxo ou a teoria multifocal do conhecimento que desbravam formas diferentes de interpretar os complexos processos da mente e da cognição. Nem todos os que leram a obra perceberam que a Inteligência Multifocal nasceu de uma união entre a Psicologia, a Filosofia e as Ciências Sociais que o autor tão genialmente fez. Cury pesquisa a mente humana numa perspectiva psicossociofilosófica, não ficando restrita aos aspectos cognitivos e neuropsicológicos. É, não obstante, uma abordagem tão importante e útil como estas. Não há contrariedade mas complementaridade. Ao contrário de ser redutora, a teoria da Psicologia Multifocal amplifica o conhecimento sobre os mecanismos da mente. É isso que Cury diz precisamente e se explica: "(...) descobri que a previsibilidade, a linearidade e a lógica das leis físico-químicas do cérebro não explicam um conjunto de processos e fenómenos que participam na construção das cadeias de pensamentos e da transformação da energia psíquica”.
Ao longo de mais de 17 anos desenvolveu os alicerces desta original explicação do funcionamento da mente humana. No livro Inteligência Multifocal (1998) ele esclarece assuntos e revela factos que desafia a nossa noção do funcionamento da mente humana. Ele discursa (entre vários outros assuntos) sobre os 4 grandes fenómenos universais comum a todos os seres humanos (três deles independentes da vontade + controle consciente do "Eu") que trabalham sinergicamente nos bastidores de nossa mente para produzir o fantástico mundo dos processos de construção dos pensamentos e da transformação da energia emocional e motivacional:
O Autofluxo da Energia Psíquica
O discurso sobre o fenómeno do Autofluxo da Energia Psíquica indica que a nossa mente vive numa dinâmica constante e inevitável desde os primeiros pensamentos produzidos pelo feto até o fim da vida do ser humano. É impossível para nós interrompermos o fluxo de nossos pensamentos pois o Autofluxo da Energia Psíquica actua independente da nossa vontade consciente. Até mesmo a tentativa do vácuo de pensamento já é uma manifestação do pensamento.
A Autochecagem da Memória
A produção de conhecimento tem como base o fenómeno da Autochecagem da Memória. Muitos dos pensamentos e emoções gerados nos bastidores de nossa mente são produtos de um fenómeno que actua clandestinamente lendo determinadas áreas da memória, sintetizando pensamentos e modificando o conteúdo de nossa emoção "sem que tenhamos autorizado tal actividade".
A Âncora da Memória
Sobre o fenómeno da Âncora da Memória Cury procura abrir os nossos olhos para o facto de que nem todo conteúdo de nossa memória está disponível para ser lido num determinado momento existencial, mas sim algumas áreas determinadas por esse fenómeno. Segundo Cury, os deslocamentos da Âncora da Memória consistem na variável intrapsíquica de maior relevância em relação ao conteúdo de nossos pensamentos. Em momentos e fases de vida de forte turbulência emocional a Âncora da Memória pode "travar" restringindo o nosso acesso a “diversos arquivos existenciais”, tornando-nos rígidos, pobres e pouco qualitativos nos nossos pensamentos gerando não poucas vezes várias distorções na interpretação dos factos e situações psicossociais.
O EU
Finalmente, o fenómeno do Eu pode ser definido como a nossa consciência existencial do mundo que somos e em que estamos, em resumo, a nossa identidade existencial, a nossa consciência de nós mesmos. O Eu, através do processo de interiorização existencial pode exercer um domínio no redireccionamento dos outros 3 fenómenos; porém, jamais interromper ou eliminar essa actuação. O Eu é ao mesmo tempo servo e líder do Autofluxo, da Autochecagem e da Âncora da Memória. Sem uma postura firme, apaixonada e determinada do “Eu”, a nossa produção de pensamentos e emoções fica entregue aos outros 3 fenómenos intrapsíquicos os quais têm a função primordial de "financiar" gratuitamente o funcionamento da mente, porém o pensamento crítico, centrado em princípios humanísticos, é a responsabilidade principal do “Eu”.
O nascimento da mente no feto humano
A PSIQUE INTRA-UTERINAO “caos” da energia psíquica e o fluxo vital de alguns fenómenos que reorganizam esse caos já estão presentes na vida intra-uterina a partir do final do primeiro trimestre. Biologia e psicologia se juntam para iniciar a formação do ser humano como um todo. É, por essa altura, que o feto começa a explorar o ambiente intra-uterino.
Será nessa altura que a memória instintivo-genética começa a incorporar a complexa memória histórico-existencial, ou seja, as RPS (representações psicossemânticas) advindas das construções psicodinâmicas produzidas pelos processos de construção da mente. São actividades complexas ainda sem capacidade para gerarem pensamentos dialéticos e, consequemente a organização da consciência do EU. É provável que, numa fase imediata, haja a produção (reduzida inicialmente) de pensamentos antidialécticos mas insuficientes para organizar a consciência do EU (aqui entendida como consciência da existência de si mesmo).
Esta consciência de SI ocorrerá apenas com a expansão qualitativa e quantitativa da história intrapsíquica e, consequentemente, com a expansão qualitativa e quantitativa da leitura multifocal da mesma graças à formação da memória.
Com o avançar dos meses, o feto adquire capacidades novas a nível mental, desenvolve os sentidos e inicia a sua exploração do mundo. Tem consciência do mundo que a rodeia (os sons, por exemplo) mas é ainda incapaz de conhecer-se a si mesma. Não obstante, há actividade de pensamentos essenciais produzidos pela leitura automática da memória.
A construção da psique
Cury defende que a construção da vida mental decorre em 4 etapas:
1º A partir das matrizes dos pensamentos essenciais (não conscientes) que são provocados pelos estímulos intra-uterinos. Esses pensamentos reorganizam os microcampos de energia emocional e motivacional fetal, expandindo as possibilidades de produção de experiências emocionais e motivacionais através do conjunto de estímulos intra-uterinos interpretados.
2º A partir da iniciação da leitura multifocal da memória histórico-existencial pelos fenómenos inconscientes da psique: o fenómeno da autochecagem da memória, âncora da memória e complexo do autofluxo.
Todos pensamentos essenciais (básicos e inconscientes), as emoções, os desejos e as sensações tornam-se em experiências psíquicas que são registadas automaticamente pelo fenómeno RAM (registo automático da memória) na memória histórico-existencial (mais tarde memória autobiográfica).
Destaque-se o papel da memória genético-instintiva que não tem apenas a função de perpetuar a vida mas também de enriquecer a memória histórico-existencial pois cada reacção instintiva produzida é arquivada como RPS (representações psicossemanticas), expandindo, assim, a história intrapsíquica.
3º A partir das substâncias neuroendócrinas do metabolismo da mãe e que passam pela barreira da placenta. Essas substâncias são produzidas, principalmente, em situações de tensão emocional e stress psicossocial.
Assim, o feto pode ter taquicardias, contracções musculares e ansiedades decorrentes do estado emocional da mãe que vão influenciar a construção da mente, nomeadamente o perfil emocional e a personalidade (mães muito ansiosas geram crianças ansiosas).
Na verdade, os níveis de timidez, de ansiedade diante das situações stressantes, de intolerância diante de frustações, de excitabilidade diante de novas situações, de estabilidade emocional, de insegurança, etc., formam-se logo na vida intra-uterina.
4º A partir da leitura da memória genético-instintiva e das substâncias neuroendócrinas fetais, produzidas pela carga genética, que transmutam microcampos de energia físico-química no campo de energia psíquica.
A história intrapsíquica – ou seja, a história da mente de cada um de nós – é, pouco a pouco, arquivada e produzida inevitavelmente pelo fenómeno RAM (registo automático da memória) ao longo de todo o processo existencial desde a vida intra-uterina.
Ou seja, as estruturas da nossa mente e que influenciam a nossa vida psíquica e os comportamentos no futuro têm uma origem anterior ao nascimento. Na verdade, toda a produção intelectual possui uma relação directa com a história intrapsíquica. Todas a ideias, pensamentos, análises, reacções fóbicas, prazeres, angústias existenciais, desejos, impulsos, enfim, todas as construções psicodinâmicas produzidas pelos processos de construção da mente durante a vida fetal são geradas a partir da leitura da história intrapsíquica.
Sem esse tempo de vida fetal em que se constrói a psique, sem essa história intrapsíquica anterior ao nascimento, não seriamos seres pensantes, não construiríamos ideias, nem tão pouco teríamos uma consciência existencial. Por isso se pode dizer que os fetos pensam muito, mas pensam matrizes de pensamentos essenciais, que são inconscientes.
Assim, todo o ser humano inicia o desenvolvimento da sua inteligência, a construção dos pensamentos e a consciência do EU durante a vida intra-uterina. Aqui convém destacar o que Augusto Cury chama de “mordomos da mente”: o fenómeno da autochecagem da memória, a âncora da memória e o complexo do autofluxo. São eles que “alimentam” a mente e promovem o seu desenvolvimento.
AUTOCHECAGEM DA MEMÓRIA (ACM)
O fenómeno da ACM é intrapsíquico, inconsciente e automático. É um processo de registo rápido dos estímulos sensoriais na memória. Ele produz uma ponte de ligação entre esses estímulos e a história intrapsíquica, arquivada na memória.
A ACM alimenta cadeias de pensamentos essenciais (inconscientes) que, lidas virtualmente, geram os pensamentos antidialécticos e dialécticos, estabelecendo, assim, a consciência existencial do estímulo.
Como se processa? Os estímulos do mundo exterior (extrapsíquicos), captados pelo nosso sistema sensorial, são assimilados pelo córtex cerebral, gerando sistemas de códigos físico-químicos que se transformam em campos de energia psíquica e formam os pensamentos essenciais. Tudo isto se passa no inconsciente trabalhando em conjunto com o fenómeno RAM (registo automático da memória), antes pois de ocorrer a assimilação ou a compreensão intelectual dos mesmos.
Assim, a ACM lê a memória, constrói pensamentos e transforma a energia psíquica (sem intervenção da nossa consciência).
O fenómeno da ACM de estímulos externos começa na vida intra-uterina. Mais tarde processará também os estímulos mentais (ideias, análises, emoções, etc.).
A ACM está em permanente actividade ao longo da vida, milhões de vezes por segundo, expandindo a história psíquica já que cada experiência, contacto ou estímulo (interno e externo) é registada pelo RAM.
COMPLEXO DO AUTOFLUXO
O campo de energia psíquica nunca se equilibra, mas vive continuamente em “desequilíbrio psicodinâmico” que permite a expansão de construção da mente. Este conceito de “desequilíbrio psicodinâmico” é extremamente importante e está ligado ao fluxo vital da energia psíquica. A esse desequilíbrio Cury chama de ANSIEDADE VITAL.
Diferente da ansiedade patológica, a Ansiedade Vital é fundamental no processo de leitura da história intrapsíquica e da construção da mente e seu funcionamento. É ela que anima o fluxo vital da energia psíquica.
É, para Cury, o “princípio dos princípios” do processo da transformação da própria energia psíquica e do processo de transformação da personalidade. Difere de pessoa para pessoa.
Nas crianças hiperactivas essa Ansiedade Vital é intensa, gerando um grande fluxo de transformações emocionais e motivacionais e hiperconstructividade de pensamentos, que se expressam por agitação e hiperactividade psicomotora. Nas crianças autistas, pelo contrário, a Ansiedade Vital está diminuída, que se traduz numa redução da transformação da energia emocional, numa redução da construção quantitativa dos pensamentos e numa redução da capacidade de interacção e interesse social.
Variáveis que actuam na Ansiedade Vital:
- microcampos de energia físico-química determinados pelo metabolismo neuroendócrino (determinado geneticamente);
- o pool de experiências vivenciadas no meio ambiente intra-uterino;
- a qualidade da história intrapsíquica;
- a estimulação sócio-educacional;
- a operacionalidade psicodinâmica do fenómeno de psicoadaptação, etc.
Conclui-se que a Ansiedade Vital é uma variável intrapsíquica influenciada por variáveis de origem genética, intrapsíquica e sócio-educacional. Ansiedade Vital participa no Complexo do Auto-fluxo e está também ligada a outras variáveis intrapsíquicas como o fenómeno da Âncora da Memória, a Consciência do EU, etc.
O Complexo do Autofluxo (CA)
O CA é activado pela Ansiedade Vital e representa um conjunto de fenómenos que actua nos bastidores da mente humana e que alimenta um fluxo espontâneo e inevitável da energia psíquica, gerando continuamente uma produção de pensamentos, ideias, motivações e emoções. Cada pensamento e emoção produzida no campo da energia psíquica desorganiza-se, sofre o caos psicodinâmico e volta a reorganizar-se continuamente noutros pensamentos e emoções. O CA contribui, assim, decisivamente para gerar o fluxo vital da energia psíquica.
A ÂNCORA DA MEMÓRIA (AM)
A Âncora da Memória é um fenómeno psíquico inconsciente que desloca e é deslocada psicodinamicamente pela Autochecagem da Memória, pelo Complexo do Autofluxo (CA) e pela Consciência do EU. Refere-se a uma “fixação psicodinâmica” da leitura multifocal da história intrapsíquica em determinados territórios da memória.





